Fragmento (i)letrado



às vezes penso que meu cérebro trabalha feito um louco insano que não sabe a hora de dar uma trégua... sempre que passo as páginas, as abas, as placas de qualquer enunciado com sentido completo buscando as concordâncias, as regências, as formas gramaticais perfeitas, acredito estar adentrando num universo paralelo ao qual só eu dou importância, visto que pouco interessa aos demais, na minha limitada visão, o fato de que a conjugação correta dos verbos tem sim alguma relevância sobre o universo... sobre a vida... sobre as pessoas... a premissa de desejar um mundo não todo às avessas, o simples desejo ou a crença de achar que cada palavra tem um significado absoluto e distinto das demais me torna uma pessoa avessa ao que a maioria vivencia... talvez seja apenas mais uma ilusão de alguém que terminou Letras, mas qual a importância de se ensinar as entrelinhas de uma língua tão confusa, tão difundidamente difícil e complicada a pessoas que não veem o que eu vejo? acredito, digo até que muitas vezes em minha vida, numa esperança mirrada no final de algum túnel no qual, certamente, falar das palavras e de como a sintaxe pode ser incrivelmente bela, apesar de ortodoxa, pode mudar vidas, pode mudar diálogos, pode mudar relacionamentos... não haverão mais mal entendidos ou não vão haver mais mal entendidos? é o uso que determina a forma ou a forma que determina o uso? há os que ainda vivem da forma, como uma fôrma de fazer bolo... há os que apenas querem viver da linguística bonachona que todos têm na ponta da língua, mas não basta apenas que haja comunicação?... às vezes penso que meu cérebro ainda continua trabalhando contrário ao que caminha a humanidade... mas posso eu julgá-los? no entanto, como amante convicta dessas palavras tão belas, centenas de milhões de vezes tão mal ou bem empregadas, queria ao menos que todos, em sua necessidade existencial, sentissem em algum momento de suas vidas o quão maravilhoso é esse mundo - não tão hostil depois que você se torna íntimo dele - que é o mundo das palavras, dos elos,  das ideias e das felicidades eternas...

KC

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