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Mostrando postagens de Agosto, 2011

Saudade...

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Saudade é algo que não deveria ser prolongado… O incrível é que todo mundo – um dia – passa por isso, mas eu digo por experiência própria que é uma das piores coisas do mundo...

Caminhada

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...há um longo longo caminho até a terra dos meus sonhos... mas se não percorrê-lo, perderei a chance de saber se vale a pena ou não realizá-los...

Cantares

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Ronda tua crueldade.
Esconde, avança

Até que me descubras
Fissura rigorosa
Na tua garra
Ajustado tensor
Para tua lança.

Ronda meu abandono
Persegue
Trança meu desamparo
Sono e tua inquidade.
Ritualiza a matança
De quem só te deu vida.

E me deixa viver
Nessa que morre.


Hilda Hilst
[fragmento]

Deixe levar-se...

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Deixe levar-se como uma pena aos infinitos mundos dos ventos onde tudo é segredo, onde tudo é mistério... Deixe levar-se de si mesmo como uma pele que se solta do corpo e cria possíveis vidas, imagina outras vidas... Deixe levar-se embora como bagagem de mão, para onde tiver que se ir... Deixe levar-se como as ondas que vão e quando voltam não são mais as mesmas...Deixe levar-se apenas por levar-se na imensidão do desconhecido mundo desvendando esse mundo desconhecido que é o seu interior.

A Clarice Lispector

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Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir”.

(Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina" – Clarice Lispector)



“Estas unhas que te arrancam
os espinhos mais profundos
– espinhos mortais –
são para te acalmar.

Esta boca cruel que te morde
aumentando …

Uma vez, não mais que uma vez...

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Uma vez, disse a meu pai que eu queria ser escritora. "Mas que coisa feia de se dizer, menina!", imediatamente ele me censurou: “Ser escritor não dá dinheiro”. Eu entendi a preocupação dele, mas a pequena e mandona escritora que mora em mim falou mais alto...